Cowboy Cantor

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Música Cover: que raio de palavra é esta?

(Nota: este texto tem trinta linhas. As primeiras vinte e sete são de exemplos e dissertações. A explicação está nas três linhas finais. Agora escolham quantas linhas querem ler.)

Desde que me lembro de ouvir falar de música, ou ler sobre música, encontro-me muitas vezes com a palavra “cover”. Para começar, português como sou, orgulhoso da minha língua e sobretudo professor, que dá aulas usando língua portuguesa, nunca uso a palavra “cover”, mas sim “cópia”.
Ora, aqui vai uma lição, para quem quiser aprender:
Cover (cópia), é quando um artista usa a música de outro artista, e toca-a tal e qual como foi gravada pelo artista original. Por exemplo, anos atrás duas senhoras da música pop gravaram uma cópia de temas dos anos 80. A Natalie Imbruglia gravou “Thorn”, um original dos Ednaswap. Também a Celine Dion gravou “The Power of Love”, original de Jennifer Rush. Quer num caso, quer noutro, a música soa igualzinho ao original. A diferença é que gosto mais de ouvir a Nathalie Imbruglia a cantar o “Thorn”, do que os próprios Ednaswap. Quanto à Celine Dion, mil a Jennifer Rush a cantar de ressaca. Mas o que interessa para a minha explicação é que, sendo dois temas que soam iguais ao original, estamos perante duas cópias (ou “covers”, para os mais teimosos).
Aquilo a que muitas vezes se chama de “cover” (ou cópia, para quem quer usar correctamente a língua portuguesa para comunicar), deveríamos sim chamar de “versão”. Versão porque fica diferente. Uma forma diferente de tocar um tema que foi composto e gravado por outros artistas, às vezes até pelos próprios.
Exemplos de versões, temos o que as coisas horrorosas que os Divinus fizeram à música portuguesa, os crimes que os Gregorian fizeram com temas como “The Sound of Silence” (Paul Simon & Art Garfunkel), “Brothers in Arms” (Dire Straits), ou então as coisas engraçadas, e muito bem feitas que os Vozes da Rádio fazem com muita da música que cantam. Há também o inexplicável álbum de homenagem aos Xutos & Pontapés, XX Anos XX Bandas, ou então o que os The Birds faziam com a música de Bob Dylan. Talvez seja este o exemplo perfeito: por um lado Bob Dylan tocava guitarra acústica e harmónica, e por vezes parecia que arrastava a música. Os Birds davam mais ritmo à música e usavam guitarras eléctricas, bateria, baixo, pandeiretas, e provavelmente menos álcool.
Poderemos também ouvir o “Eric Clapton MTV Unplugged”, e perceber facilmente que quando ele diz “Let’s if you can spot this one”, é porque vai tocar uma versão completamente diferente do original “Layla”, gravado por si próprio num ambiente muito mais eléctrico.
Trinta e duas ou três (dependo do tamanho 10 ou 12) linhas para explicar o que se pode dizer em duas:
Cópia (“cover”) é quando um artista usa a música de outro, e tenta tocá-la igual à gravação original. Versão, é quando um artista toca uma música de forma diferente à gravação original.

5 comentários:

Anónimo disse...

Meu Caro, não creio que uma cover seja uma réplica !!! Cover é cover e seguramente soa melhor na língua originária do que no Português ! Não me digas que és daqueles puristas que até dizem : "vinilo" ! Apre. Quanto à remix estamos de acordo. O Cowboy Cantor esteve à escuta da RDP Açores ontem à noite ou isto é mera provocação ?
JNAS

Rodrigo de Sá disse...

Não, não digo "vinilo". Não caio nesse exagero. E também não sou tão purista ao ponto de dizer que o vinil é melhor do que o c.d. ou o mp3. Ainda não pensei muito nesse assunto, sequer. Quanto à RDP Açores, não estive à escuta não senhor. Ontem falhei a aula. Já agora: que tal um podcast do programa?
Também não era provocação. A verdade é que estive a ler os blogs durante uma das 4 horas não lectivas que tenho à 5ª Feira, e certas ilhas e ar de mares deram-me o impulso para publicar este texto.

Rodrigo de Sá disse...

A provocação segue com a terceira época do podcast, que deverá começar amanhã. É só esperares, que há-de chegar a tua vez.

Anónimo disse...

...
Já pedi um podcast ao Herberto Quaresma e uma playlist ao Pedro Arruda para o : Ilhas. Infelizmente, não me ligam pevide !
JNAS

Marco disse...

Concordo com a explicação!!! Cover não tem nada a ver com versões!!!

Um cover tem que ser o mais próximo do original possível e de preferência se a banda ou cantor8a) tiverem até o mesmo tipo físico, melhor!!!

E ponto final!!!!