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Há pessoas que não merecem viver na Terra. Michael Nyman é uma delas. Não porque não mereça viver, mas porque não merece viver num mundo onde talvez a maioria das pessoas não o compreenda. A sua presença é demasiado enigmática para eu poder dissertar sobre o homem. No entanto parece-me que um homem como Michael Nyman não é um comum mortal.
As suas composições, simples, giram à volta de quatro ou cinco compassos que são repetidos, e apresentados com variações ao longo do tempo que se torna infinito, e no entanto leva-nos a desejar que não acabe. A interpretação, e apresentação do homem em palco, torna a música perfeita para comprovar que se este artista é humano, deve ser uma espécie muito perto do divino.
Entra-se na sala, vê-se um piano em palco, e uma tela , o que deixa antever que haverá projecção de qualquer coisa durante o concerto. O artista entra de ar despreocupado, mas sério. Concentração? Não. É tudo muito natural na forma como actua. Durante a audição dos primeiros três ou quatro compassos, a certeza: este homem não é muito normal. É de certeza uma evolução da espécie humana.
O grande momento da noite não houve. A noite é que acabou por ser pequena demais.
2 comentários:
The Depature, o grande momento da noite, pelo menos para mim. Até arrepiou para quem já ouviu dezenas de vezes num insensível leitor de CD´s.
A primeira peça talvez tenha sido a que mais me agradou.
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