Cowboy Cantor

terça-feira, 25 de janeiro de 2005

Os 10 Mais do Ano

Já lá vai algum tempo que a notícia foi divulgada, mas os mais desatentos podem ainda não saber.
Emmanuel Legrand, um editor da revista de música Billboard, lançou no dia 13 deste mês a sua lista dos melhores 10 álbuns de 2004. Surpresa (ou talvez não) aparecem dois nomes portugueses nesta lista.
Em segundo lugar, Emmanuel Legrand pôs o álbum Cinema, de Rodrigo Leão, e em nono, aqui talvez uma grande surpresa, o álbum de estreia do grupo Mesa. Cinema foi ainda considerado pelo mesmo jornalista, o melhor álbum de chill-out de 2004.
O Cowboy Cantor não pode deixar de mostrar o seu contentamento com esta notícia, e aproveito para, se esta mensagem lá chegar, saudar calorosamente os artistas, e todos aqueles que compraram os dois álbuns referidos.
Será este um bom preságio para o que vamos ter em 2005, no que diz respeito a música feita por portugueses?

Aqui está a lista dos 10 melhores álbuns de 2004, elaborada por Emmanuel Legrand


1. Tinariwen - «Amassakoul»
2. Rodrigo Leão - «Cinema» (tenho este. É muito bom)
3. Nick Cave & the Bad Seeds - «Abattoir Blues / The Lyre of Orpheus» (também o tenho. É excelente)
4. Rammstein - «Reise, Reise» (é para mim, um leigo em Rammstein, o melhor álbum destes alemães)
5. Kasabian - «Kasabian»
6. Nils Petter Molvaer - «Streamer»
7. Kraftwerk - «Tour De France»
8. Franz Ferdinand - «Franz Ferdinand» (vou ter este. É uma das bandas do ano. Muito bom.)
9. Mesa - «Mesa» (aquele duo com o Rui Reininho tira muita qualidade ao tema Luz Vaga. No geral, também é um disco muito bom)
10. Candi Staton - «Candi Staton»

terça-feira, 4 de janeiro de 2005

Os Patinhos (a sucessão)

Bem sei que é difícil para um músico, um actor, um realizador, um autor, ou outro artista, depois de um grande êxito, manter a mesma qualidade. No caso específico, estou a falar dos estrondoso êxito que foram Os Patinhos da RTP. De facto estas personagens foram umas das mais bem sucedidas de sempre da televisão. Crianças, jovens e adultos paravam tudo para ver tão curiosas personagens.
O vocalista tinha uma presença inegualável. Uma coisa de fazer inveja ao Robbie Williams. O xilofonista tinha uma vontade que não enganva ninguém: o pato estava mesmo a tocar. O percussionista da Manchester Camarata que se cuide, porque este patinho ainda lhe tira o lugar. As bailarinas, para além da boa aparência, tinham uma graciosidade e precisão de movimentos de fazer inveja a qualquer bailarina do corpo de bailado Bolchoi.
Será difícil substituir Os Patinhos com algo de tão grande qualidade.
Devido a tão grande êxito destes nossos amigos, acho que a RTP deveria ter mais cuidado em escolher os seus sucessores. Já viram e ouviram a nova rúbrica Vamos Dormir? Bem que se podiam ter esmerado mais em fazer algo bom. As marionetas, algumas, têm mesmo cara de quem diz: "Ou vais para a cama, ou como-te vivo". Alguns são mesmo feios.
As vozinhas... Irrita-me ver desenhos animados dobrados em português por esta simples razão: as vozes das personagens são sempre em falsete (um falsete muito falso). Estes novos bonecos têm umas vozes estridentes demais. Estava bonito se nas minhas aulas eu cantasse em tais falsetes. Acho que nem sequer teria passado do 2º ano do meu curso (e tanto que me custou a passar o meu segundo ano de curso).
E quanto à música, já a ouvi muitas vezes, e ainda não consigo cantar a melodia. Ou seja, se eu não consigo (eu que sou adulto, ou tenho esta responsabilidade de o ser, e até sou professor de Educação Musical), como é que querem que as crianças ganhem amizade a estes novos monstrezinhos?

segunda-feira, 20 de dezembro de 2004

O Homem Máquina

Andava eu num dia a caminho de casa, depois de mais um dia de aulas para os lados do Nordeste, quando percebi que o Herberto Quaresma iria voltar à rádio. Na altura percebi que era um programa novo. Diferente da Turma da Estação, e um pouco semelhante à Última Fronteira. Fiquei muito contente pelo anunciado e esperado regresso. Dias depois ouvi novamente o anúncio do regresso do ex-reitor e alfandegário, e então percebi que estavam a querer tramar a vida ao Homem Máquina. Então não é que puseram o Homem a trabalhar precisamente na hora dos futebóis. Na Segunda-feira acaba a jornada que começou na Sexta. Na Terça há Liga dos Campeões. Na Quarta e na Quinta há Taça UEFA. Na Sexta começa a nova jornada. Os jogos, como se sabe, durante a semana começam às 19:00, 19:30, 20:00. Então e quando é que se houve o Homem Máquina? Acho uma injustiça, e inadequado o horário proposto para o Homem Máquina. Será que o Homem Máquina, o Herberto Quaresma, merece que seja tratado como alguém de menor importância na rádio pública? Será que não devia ser tratado com mais respeito?

domingo, 5 de dezembro de 2004

Vinte e Qualquer Coisa

Pois é, quem o conhece já percebeu pelo endereço que está aqui acima de quem vou falar. Quem ainda não o conhece, devia. Chama-se Jamie Cullum. Tem 20 e qualquer coisa (como ele próprio diz numa das suas canções "Twentysomething".
O rapaz acredita ser influenciado pelo Kurt Cobain (ele sabe de cor todo o Nevermind), mas toca e canta jazz. Mas será mesmo jazz? Pelas palavras do próprio, "isto não é jazz. Eu ando a prostituir o jazz". Realmente, um concerto dele mais parece um concerto de música rock. E nota-se realmente uma certa influência do Kurt Cobain. Jamie Cullum não salta a tocar piano, ele salta para o piano para tocar. E salta mesmo: "I've got you (plam, um sapatada nas teclas do piano) under my skin. I've got you (plam, outra sapatada no piano) under my skin." Ele toca piano em pé. Nunca vi ninguém a tocar piano jazz em pé. Ele tira o microfone. Pede às pessoas para cantarem com ele. Ele bate no piano. Salta-lhe para cima, e salta-lhe em cima. Bate-lhe por cima, pelos lados, por baixo. Sim, porque o piano não se toca só nas teclas.
Enfim, o que o Jamie Cullum faz é uma mistura de uma encenação de um concerto do Robbie Williams, e um concerto clássico de jazz. Os próprios arranjos têm sonoridades pop/rock. O rapaz tem uma voz excelente, tem muito talento, e tem aquela sorte de tocar com grandes músicos.
O disco e o DVD andam à venda. É para quem gosta de jazz, e também para quem acha que não gosta.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2004

Pink Floyd em tribunal

Tudo começou com estas palavras que agitaram o mundo: "We don't need no education. We don't need no thoughs control." Começa assim uma das canções mais polémicas e famosas dos Pink Floyd, "Another Brick In The Wall (part 2)", albúm "The Wall".
As vozes de crianças que se ouve na canção são de um grupo de alunos de um colégio fino de Inglaterra. A banda fez a proposta de gravação à direcção da escola, e a letra ao ser lida, fez com que a proposta fosse recusada. Os pais das crianças apoiaram a direcção nesta decisão. Mas os Pink Floyd insistiram, e as crianças também. E pronto, às escondidas, sem ninguém saber, nem pais, nem professores, nem directores, a gravação foi feita. E por este motivo, os nomes dos alunos e do colégio não aparece em lado nenhum.
As crianças cresceram, e agora têm um advogado (!?). Os Pink Floyd estão em tribunal (!?). Porquê? Porque as crianças, hoje adultos, exigem o pagamento dos direitos de autores das vendas feitas do albúm, e que nunca foram pagos. Pudera. Ninguém sabia quem eles eram. Como queriam ser pagos? Questão: será que algum dos alunos foi castigado por desrespeitarem uma ordem da escola e dos pais? Nota: os actuais e antigos directores do colégio apoiam os ex-alunos neste caso.