Cowboy Cantor

terça-feira, 18 de outubro de 2005

Bem (Em)Pregado



Duas razões me levam a dar destaque esta semana a “I Predict A Riot”, dos Kaiser Chiefs: a primeira é a actual situação do Sporting Clube de Portugal, a outra é o simples facto de estes senhores terem gravado um primeiro álbum com a qualidade de quem já anda nisto há muitos anos.
Começando pela primeira, é simples: depois de tudo o que se passou no início do ano, começando pela dispensa de jogadores muito importantes no balneário, como Rui Jorge e Pedro Barbosa, os resultados da equipa só poderiam levar a duas situações, a demissão de toda a direcção e o treinador, ou então a uma invasão de instalações pelos adeptos.
Ao José Peseiro, que não sei se algum dia vai ler esta mensagem, dedico a minha sugestão da semana.
Gostaria de falar um pouco dos Kaiser Chiefs, mas a história deles resume-se a uma das mais espectaculares presenças no festival da Elsa, desculpa, de Vilar de Mouros, e à nomeação para os M.T.V. Music Awards, que terão lugar no dia 3 de Novembro em Lisboa – sim, a cidade portuguesa. Os Kaiser Chiefs estão nomeados para a categoria de Melhor Artista do Reino Unido, não confundir com Inglaterra, e também para Melhor Revelação do Ano.
Quanto a mim, são sérios candidatos a ganhar os dois prémios, embora falte a nomeação para a canção do ano, sendo que o tema mais forte de “Employment” é a primeira faixa, “Everyday I Love You Less And Less”.
Rock puro, genuíno, alegre, com muita força. Não engana, são do mesmo país da banda que usou um dia dizer “I Am An Antichrist”. O próprio som, e energia dos Kaiser Chiefs faz lembrar os Sex Pistols.
“Employment” é um disco muito bem conseguido, e recomenda-se a todos os fãs de rock.
Como sempre, no Cowboy Cantor ficará em escuta mais esta sugestão musical.

sábado, 8 de outubro de 2005

Na Selva




Primeiro ponto: Nunca, mas nunca se aproximem mais de 10 metros do Richard Cheese.
Segundo ponto: O homem é doido.
Terceiro ponto: O que ele faz é muito bom.

A capa do álbum novo de Richard Cheese faz lembrar um dos álbuns dos Guns N' Roses. O título também é inspirado no primeiro álbum desta banda. Se em 1987 os Guns lançaram Apetetive For Destruction, Richard Cheese lança em 2005 Aperitif For Destruction.
E o que é que o homem faz? Em vez de destruir, constrói.
Não se percebe muito bem se Richard Cheese respeita artistas como os Guns N' Roses, Radiohead, Beck, Madonna, Offspring, Green Day, Garbadge, U2, Nirvana, ou simplesmente odeia-os. Mas o que à partida poderia ser um gozo, acaba por ser um conjunto de 16 temas de rock, heavy metal ou pop, transformados em 16 canções ao estilo mais puro do swing.
Deixo em audição no Cowboy Cantor a versão de Welcome To The Jungle, original dos Guns N' Roses.
Quem ouvir com atenção até vai ouvir ao longe o assobiar doo Timon, a suricata amiga do Simba, o Rei da Selva.

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

Jazz Na Lua

Ao segundo álbum, Peter Cincotti confirma-se como sendo um grande talento da nova vaga de artistas de jazz, que mais do que se preocuparem com a composição, tentam dar uma nova vida aos clássicos.
Aos 22 anos de vida, este rapaz gravou um disco que irá de certeza absoluta mudar a sua vida, e a talvez a vida de quem vai ouvi-lo.
Para já, não consigo tirá-lo do meu leitor, ou pelo menos mantê-lo por perto.
Há alegria, há talento, há clássicos, há genialidade nos arranjos. Mas sobretudo há muito bom gosto em Peter Cincotti e nos seus companheiros.
On The Moon, abre com um clássico de Louis Armstrong. É sem dúvida a melhor escolha para a abertura do disco. Se os primeiros segundos do álbum prometem um desfilar de grandes temas, com grandes orquestrações, os temas seguintes confirmam o que é de facto um dos álbuns de jazz do ano.
Para aguçar o apetite vou deixar em escuta no Cowboy Cantor durante alguns dias St. Louis Blues, tema de abertura do álbum.

advertência: ao ouvir este disco a conduzir, poderemos correr o risco de efectivamente ficar na Lua, e perdermos a noção do que se está a passar à nossa frente. Acreditem, ao ouvir I Love Paris, original de Cole Porter, distraí-me, e quase que batia no autocarro que ia à minha frente.